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terça-feira, julho 24, 2007

Iberismos...

O senhor José Saramago, entre outras pessoas, defende o iberismo, a união de Portugal e da Espanha. União essa, segundo a opinião dessas pessoas, que nunca devia ter sido quebrada.

O nascimento do nosso país pode ser alvo de muita discussão. Pode-se alegar que tudo não passou de uma birra de um tipo com mau feitio. Pode-se alegar que Afonso Henriques jamais deveria ter tido a oportunidade de criar um condado. Pode-se alegar uma data de coisas mas a verdade é que o nosso país existe há quase 900 anos! É dos países mais antigos do mundo! Tem uma língua própria! Tem cultura própria!
É verdade que a nossa língua se assemelha ao castelhano e ao galego. É verdade que encontramos muitos traços semelhantes na nossa cultura e na espanhola. É verdade que entre os dois países existem muitas afinidades mas... Que porra! Quanto valem 900 anos de história? Uma língua? Uma cultura? Uma bandeira? Um sentimento?
Porque raio haveria o nosso país de se juntar a Espanha quando no nosso país vizinho existem comunidades autónomas e que se tentam demarcar cada vez mais? Que dirá um galego, um catalão ou um basco sobre as ideias destes defensores do iberismo?
Para alguns dos defensores do iberismo existe uma razão muito forte para a união dos dois países: a melhoria da nossa qualidade de vida. Pertencer a Espanha, ou formar um país em conjunto, significa ter melhores ordenados, impostos mais baixos, entre outros benefícios. Ora, na escola, no terceiro ciclo fala-se disto em Ciências Naturais. O nome que este tipo de associação recebe é PARASITISMO!
Que raio de mentalidade retrógrada a nossa por acharmos que é boa ideia colar-mo-nos aos espanhóis para melhorar a nossa vida! OPORTUNISTAS! CHULOS!

O nosso país tem muitos defeitos. A mentalidade da generalidade dos portugueses precisa de mudar. Bastante e com muita urgência... Mas... Será que não somos capazes? Será que não conseguimos fazer do nosso país aquilo que queremos que ele seja? É preciso encostar aos outros?
Nós não somos uns coitadinhos! Gostamos de ser mas não precisamos. Nós somos bem capazes! Nós podemos traçar o nosso rumo e fazer dele um bom caminho! Só é preciso querer!

Fica aqui uma sugestão ao senhor Saramago: Naturalize-se espanhol e escreva nessa mesma língua! Se tanto quer ser ibérico o mínimo que deve fazer é adoptar as duas nacionalidades e exprimir-se nas duas línguas também por escrito!

quinta-feira, junho 07, 2007

Que amiguinhos que eles são!


A APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) lançou uma campanha chamada "Liberte-se" - inclui petição on-line - que tem como objectivo acabar com a proibição da abertura das grandes superfícies comerciais ao domingo à tarde e feriados.
Aqui em baixo têm o spot de rádio e um cartaz elaborado para publicitar esta campanha.


O que me faz escrever este post não é a minha posição sobre este assunto. É, isso sim, o espanto que me invadiu ao ver que os senhores da APED estão, apenas e só, a lutar pelos direitos dos consumidores! A campanha não está ligada (e só as mentes perversas o fariam) ao aumento dos lucros destas empresas com a abertura aos domingos à tarde e feriados. Nada disso! Os senhores da APED olham por nós!
Obrigado, senhores da APED, por defenderem os meus direitos de consumidor!
Obrigado, senhores da APED, por não pensarem nos lucros astronómicos que vão ter se os vossos espaços abrirem aos domingos e aos feriados.
É muito bonito da vossa parte!... Oh hipocrisia!

sábado, maio 19, 2007

Corações Envergonhados

Há duas semanas fui ao Dragão com a Nathalia. Fomos ver o nosso Porto.
No final do jogo fomos até ao Dolce Vita comer qualquer coisa.
Acabado o jantar, apeteceu-nos comer qualquer coisa doce. Um pequeno capricho.
Enquanto a Nathalia foi buscar um gelado eu fiquei na fila de uma pastelaria sem saber bem o que queria. Foi nessa hora que aconteceu.
Um homem que devia ter mais ou menos a minha idade aproximou-se. Era loiro, tinha o cabelo grande e preso atrás. Trazia uma mochila tinha um olhar imensamente triste.
Começou a falar, num português perfeitamente aceitável mas com um denunciador sotaque de leste.
Disse que não tinha emprego. Que não tinha onde dormir. Mostrou a bomba e disse que era asmático mas que não tinha dinheiro para comprar a medicação.
Nesta altura eu olhava para ele. Acho que olhei para ele para lhe mostrar que o ouvia. Que não estava a falar para as paredes.
Ele dirigiu o seu desabafo com os olhos para mim. Disse que tinha vergonha de pedir. Disse que tinha medo...
Naquele momento o meu coração apertou-se muito. Quis ajudá-lo. Quis falar-lhe. Quis dar-lhe um amparo. E não fiz nada disso. A minha vontade não conseguiu sobrepôr-se à minha estupidez. Dentro de mim uma irritante voz perguntou-me se ele não estaria a mentir. Outra voz igualmente estúpida e embaraçosamente minha disse-me: Já viste que as outras pessoas te vão achar um otário?
E estas duas vozes bloquearam-me as pernas. Bloquearam-me a voz. Bloquearam-me o coração.
Ele disse um obrigado desconsolado e continuou a sua via sacra.
Saí da fila. Tinha perdido o apetite. Acompanhei o percurso do homem com o olhar. Assisti às constantes negações de que foi alvo. Pior. Assisti à ignorância a que muitos o votaram.
Senti-me e sinto-me uma besta porque não fui capaz de fazer aquilo que, bem vistas as coisas, era a única coisa que podia, queria e devia fazer.
Eu, como todas as outras pessoas que antes e depois de mim não o ajudaram. Eu, como todas as outras pessoas que, perante os necessitados, fazem o mesmo, sou uma besta.
Nesse dia disse à Nathalia que, se um dia for pai, espero não dar tão grande exemplo de falta de humanidade aos meus filhos. Como me olhariam eles se eu fizesse o mesmo? Como me olharia eu se estivesse no lugar daquele homem?

Porque deixamos que os nossos corações se escondam com vergonha?
Porque temos pressa de esquecer as coisas que nos incomodam?

segunda-feira, maio 07, 2007

Direitos

Conheço um rapaz que está agora a terminar um curso profissional de três anos que lhe dá a equivalência ao décimo segundo e a oportunidade de concorrer ao ensino superior. O curso está ligado à instalação e manutenção de equipamentos informáticos.
A escola profissional onde estuda (as escolas profissionais, por si só dariam um post muuuito longo - pela forma como formam, contratam e são financiadas) vai lançar este ano duas dezenas de recém-formados neste curso e as coisas estão mal paradas para eles...
Ontem, em conversa, ele contou-me algumas peripécias. Aqui ficam umas "pérolas":
- Tem professores que não percebem nada de programação e, portanto, não têm como avaliar;
- Paga "propinas" e vai, certamente, ter de procurar trabalho numa área diferente já que os seus conhecimentos são escassos;
- Em algumas disciplinas faz dez (!!!) módulos num ano...;
- Há um professor que está a estudar. Quando tem trabalhos para a universidade põe os alunos todos a trabalhar para ele...;
Garanto-vos que ainda me contou mais umas tantas. No entanto o que mais me incomodou foi a resposta dele à minha pergunta: E vocês não reclamam? Não fazem nada? Ele encolheu os ombros...

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Desde que dou aulas sou Director de Turma com alguma frequência. Assim sendo tenho de dar a disciplina de Formação Cívica. Apesar de não ter formação para tal (apenas a que a vida e a consciência me dão) tento incutir nos miúdos a noção de responsabilidade cívica e, portanto, a noção dos direitos e dos deveres. É impressionante a facilidade com que as pessoas se deixam pisar hoje em dia. E nem um ai soltam...

Na escola onde trabalho acontece uma coisa que suponho que deva acontecer em muitas mais. Quando vou carregar o meu cartão tenho de ir à papelaria. Chegado lá vou para a fila. Dizem-me os miúdos: professor, pode passar à frente. Os professores passam sempre. Respondo eu - Não. Somos iguais. Vocês já cá estavam. Eles ficam a olhar para mim como quem diz: Tanso!!!
Na semana passada, estava eu na fila, aproxima-se um professor. Ao ver-me na fila vai para o final da mesma. Não resiste a dizer-me o seguinte quando passa por mim: - Eu não costumo ser tão politicamente correcto... Respondi eu: se quiser passar à frente... Força! Ele ficou tentado mas acho que se sentiu na obrigação de ser politicamente correcto...

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Uma senhora que conheço vive num prédio em Viana - Isto deve acontecer em centenas ou milhares de prédios em Portugal - que está a sofrer obras. As obras passam pela colocação de portas corta-fogo no acesso às escadas, entre outras coisas. O representante dos moradores apercebeu-se que essas portas estavam no plano mas não existiam... Fez pressão sobre o construtor. Ou as colocava ou ia para tribunal... O contrutor está a acabar as obras agora...
Como é que isto acontece? Simples o construtor poupa umas massas ao subornar os inspectores camarários... E saem todos a ganhar. Todos menos os moradores. Mas esses não interessam, não é? Afinal de contas esses "só" compram os apartamentos e vivem lá...

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Já disse isto aqui antes mas o nosso país é muito bom numa coisa. As pessoas com deficiências têm descontos enormes nos automóveis de luxo. Basta ver os carros que costumam estacionar nos lugares destinados aos deficientes...