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segunda-feira, maio 07, 2007

História Devida

Há uns tempos li este post no blog da Minerva Macgonagall, Avada Kedavra:

Passo a explicar o motivo da alegria.

Há dois meses descobri um programa da Antena 1, o História Devida, baseado num conceito do escritor Paul Auster:

"A História Devida é um programa diário da RDP, apresentado por Miguel Guilherme e por Nuno Artur Silva, que se baseia num conceito posto em prática por Paul Auster nos Estados Unidos da América. A ideia passa por pedir aos ouvintes da RDP que enviem as suas próprias histórias para serem lidas em antena por Miguel Guilherme. A História Devida depende, assim, da participação dos ouvintes, já que o programa é praticamente «feito» por eles.

Regras, há só duas: as histórias têm que ser curtas e têm que ser reais, e a sua selecção depende não de critérios literários, mas sim do mérito e da humanidade das mesmas. A História Devida não é nem um concurso nem uma competição. Ninguém anda à procura dos novos talentos da ficção portuguesa. O que verdadeiramente importa é que as histórias enviadas sejam histórias de vida – da vida dos ouvintes.

Quanto ao mais, não há restrições de conteúdo nem de forma. As histórias podem ser episódios cómicos, tristes ou brutais; gaffes hilariantes ou mágoas profundas; pequenos ou grandes dramas; coincidências bizarras ou inesperadas; sonhos, pesadelos, pressentimentos, intuições ou premonições. Podem ser sobre a velhice ou sobre a infância, sobre a amizade, o ódio ou o amor; e podem ter a forma de poemas, diálogos, narrativas ou pequenos relatos. Podem ser escritas num estilo seco ou elegante, irónico ou sincero… Enfim, a lista de possibilidades é infinita".

Assim que ouvi a primeira história, fiquei apaixonada pela ideia, e decidi participar. Enviei o meu texto, e soube hoje que foi seleccionado, e que irá para o ar no dia 11 de Maio às 17h20, com repetição às 21h20 e às 2h20. No dia anterior volto a postar sobre este assunto.

Uma coisa é certa: este blogue deixará de ser o mesmo, uma vez que vou dar a conhecer a minha verdadeira identidade. Lá se vai o anonimato! Só espero que não me ponham processos em cima!

Para quem ficou curioso com o programa mas não pode ouvir na rádio, no site da Antena 1 estão sempre disponíveis as histórias da semana.

Mas há mais: as histórias seleccionadas já foram publicadas neste livro:

... e vai haver outro livro, onde a minha "piquena" história vai estar!

:)

Até amanhã, e boas histórias!


Porque copiei um post na íntegra de outro blog para o meu?
Porque... No dia quinze de Maio é a vez da MINHA HISTÓRIA!!!!!
Hehehehe!
Estou "cheio de feliz"!

quarta-feira, maio 02, 2007

Biblioteca Nacional Digital

Ora aqui está um site bem jeitosinho!
Consultar obras, fazer o download... Dêem uma espreitadinha em:
http://purl.pt/index/geral/PT/index.html

segunda-feira, abril 23, 2007

Inquietação de Barcos - Joaquim Jorge Carvalho


Como não há duas sem três...
Li, no sábado passado, e em menos de uma hora, este guarda-jóias...
Lá dentro encontrei pérolas como esta:

Sereias

Quando o barco chegou da faina, Manuel,
Interroguei-te de novo. Sobre as redes
Disseste que havia chicharros, gaiado,
Atum, polvo, freira, caramujos-
Portanto, Manuel, que não havia sereias.

Amanhã voltarei, confiante ainda.


Ou esta:

Casa

Namorávamos, lembras-te, gulosamente
Pela rua da árvore, vizinhos da Água.
Davamos muito as mãos e os passos
Até às sete da tarde.

Quando o sol desiluminava a praia
Nós suspendíamos o amor
E os passos.

Depois, lembras-te, suspendemos o tempo:
Trouxemos nas mãos a praia para casa
E a rua, os passos.

(A miúda nasceu com três quilos, cento e cinquenta gramas.)
Podia ficar mais umas valentes linhas aqui mas... Não era justo!

Estas pérolas, quem as fez não foi uma ostra. Foi o Joaquim Jorge Carvalho (a quem eu tenho o prazer de poder chamar Quim Jorge!).
Procurem porque quem procura acha.
Achem porque quem acha recompensa-se!

Pensei que o meu Pai era Deus

No post anterior faço referência ao livro Histórias Devidas, baseado no programa História Devida, da Antena 1.

Como pessoa que gosta de ouvir/ler uma boa história, obviamente gostei do livro e, já que nele se fazia referência ao livro baseado no programa original dos Estados Unidos, resolvi comprar.
Em boa verdade se diga que comprei como presente para o meu pai. Também em boa verdade se deve dizer que como ele tardava em ler eu comecei... e acabei... O livro só vale mais do que o português porque tem mais histórias... De resto é o mesmo princípio, o mesmo meio e o mesmo fim... Vale a pena...

Histórias Devidas

Acabei de ler este livro há umas semanas...
Para quem não conhece, a Antena 1 tem um programa chamado, precisamente, História Devida, apresentado por Miguel Guilherme e Nuno Artur Silva.
A ideia deste programa baseia-se num programa radiofónico norte-americano apresentado por Paul Auster (esse mesmo) intitulado National Story Project. E qual é a ideia afinal?
Todos os dias é lido um pequeno conto escrito pelos ouvintes. Basicamente o que acontece é isso mesmo. As pessoas enviam para o programa histórias de vida. Os apresentadores fazem uma selecção e, posteriormente, contam a história na rádio.O programa norte-americano é, ao que sei, um programa de culto e deu origem a um livro que juntou as melhores histórias chamado Pensei que o meu Pai era Deus (de que falarei no post seguinte).
Em Portugal, e salvo as devidas diferenças, o percurso do programa tem sido o mesmo...
Para quem gosta de pequenas histórias, para quem acha que tem alguma coisa para contar, para quem gosta de escrever...

sábado, março 03, 2007

O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder

Acabei anteontem de ler O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder.
Este senhor norueguês, professor de filosofia, achou por bem escrever um romance dedicado à sua disciplina do coração...
Este senhor português (que sou eu) nunca gramou esta disciplina durante o secundário. Nunca aceitou bem a ideia de lhe impingirem o pensamento de outras pessoas e, simultaneamente, achava que algumas correntes filosóficas eram no mínimo muito idiotas. A juntar a tudo isso não se dava muito bem com a carga extraordinariamente teórica da disciplina.
Os anos passaram e este senhor recebeu, pelo Natal, o livro O Mundo de Sofia. Tenho de admitir que havia pensado algumas vezes no livro mas a palavra filosofia deparava-se com um preconceito inultrapassável... Está bom de ver que a sua leitura era uma mera hipótese teórica com probabilidades muito reduzidas de se tornar uma realidade.Acontece que, por obra do acaso, do destino, do subconsciente de quem mo ofereceu (a minha namorada) o livro veio ter às minhas mãos. Seja por fruto de coincidências ou um sinal do determinismo a verdade é que acabei por ler O Mundo de Sofia.
O livro levou-me em viagem pelo mundo dos pensadores e permitiu-me uma perspectiva diferente da minha tão estimadamente odiada Filosofia.
Acho que o melhor elogio que posso fazer a este criativo livro é o seguinte: Que tal ser este o manual adoptado nas escolas para a disciplina de filosofia?

Era muito mais interessante ensinar os alunos a pensar, questionar, ter uma atitude crítica, do que fazer uma revisão histórica das correntes filosóficas. Mas isto sou só eu a pensar com os dedos...

sábado, janeiro 06, 2007

A Conspiração contra a América - Philip Roth

Acabei de ler este livro na semana passada (ou no ano passado, se quiserem).
Philip Roth é um escritor norte-americano com outras obras já publicadas mas a primeira que me chegou às mãos foi esta.
Neste livro o autor, judeu, descreve aquela que seria a sua infância se Charles Lindbergh (o aviador que atravessou o Atlântico sozinho), defensor de ideias anti-semitas e isolacionista, se tivesse candidatado à presidência dos Estados Unidos em 1940 e tivesse ganho.
A verdade é que este livro mistura realidade com ficção e torna-se num retrato muito interessante e muito diferente (e muito assustador) do que podia ter sido a história mundial da época da 2ª Grande Guerra.

A leitura do livro, que tem um conjunto de informações anexas no final, foi feita junto ao computador pois, por vezes, senti necessidade de pesquisar sobre algumas personalidades, acontecimentos e instituições. E porquê? Roth não precisou de criar personagens, elas sempre existiram, apenas lhes mudou o rumo e é isso mesmo que faz o livro tão interessante: saber que o que lemos podia, de facto, ter acontecido.

Na minha opinião o livro só peca pelas às vezes extensas (e desnecessárias) descrições do autor. Mas isto é só a minha opinião.

domingo, dezembro 24, 2006

Harry Potter... Sete!

Aí está o nome do sétimo livro (obigado amorinha pela informação!)!

Quem quiser descobrir só tem de dar os seguintes passos:
1º - Ir ao site da J.K.Rowling.
2º - Cliquem na borracha que está em cima da mesa.
3º - No espelho cliquem sobre a porta aberta, ao fundo.
4º - Depois de aparecer uma árvore de Natal no espelho cliquem na porta principal.
5º - Agora cliquem novamente no espelho mas sobre o tecto.
6º - Seguidamente cliquem nas teias de aranha.
7º - Finalmente cliquem no espanta-espíritos que está do lado de fora da janela.
8º - Um dos ferrinhos vai ficar dourado. Peguem nele (é uma chave) e abram a porta.
9º - Agora é só jogar ao Jogo da Forca e ficar a saber o nome!


Posso dizer-vos que tem tanto de fantasmagórico como de mortal!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Luís Fernando Veríssimo - Ou a arte de brincar com as palavras

Luís Fernando Veríssimo. Filho do famoso escritor Érico Veríssimo. Tem uma escrita e um humor deliciosos. Trabalha e brinca com as palavras de uma forma que eu não sei descrever, só transcrever:

Pai...
- Hmmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino...
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe, porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui: tem sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculino seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai...
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática...
Eis alguns títulos da sua obra: Comédias para se ler na escola, A mesa voadora, Sexo na cabeça, As mentiras que os homens contam. Todos estes títulos estão publicados em Portugal.
Aqui ficam alguns links para aqueles cuja curiosidade espetou as orelhas:

http://portalliteral.terra.com.br/verissimo/ - Página oficial do escritor
http://www.releituras.com/lfverissimo_menu.asp - Página com alguns contos
http://www.geocities.com/Hollywood/Set/6498/ - Mais uma página com contos

Luís Sepúlveda - Crónica de uma admiração crónica

"(...)Tinha chovido miúda e subtilmente, como em quase todos os dias 31 de Março em Atacama. Quando me pus de pé, vi que o deserto estava vermelho, intensamente vermelho, coberto de pequenas flores cor de sangue.
- Ali as tens. As rosas do deserto, as rosas de Atacama. (...) As plantas continuam ali, debaixo da terra salgada. Viram-nas os atacamenses, os incas, os conquistadores espanhóis, os soldados da guerra do Pacífico, os operários do salitre. Continuam lá e florescem uma vez por ano. Ao meio-dia já estarão calcinadas pelo sol."

Este é um pequeno excerto de um pequeno texto de um pequeno livro da grande obra de um extraordinário escritor - Luís Sepúlveda!
Confesso que sou admirador. Admirador da forma de escrita, da personalidade, das vivências.
Li todos os livros - que conheço - dele e é, sem margem para dúvida, um excelente escritor.
Só tenho pena que nos últimos tempos tenha deixado a raiva, o nojo, o ódio, a repulsa (todas justificadas) pelo Pinochet tomar conta da sua escrita.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Poeta com P de Pensador...

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?

Excerto da letra da música Até Quando de Gabriel, O Pensador

Palavras para quê? Para isto:

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

Mais José Régio... Ou a capacidade de pensarmos por nós

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

Sobre a nossa insignificância... e o nosso valor...

De José Régio...

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...