terça-feira, novembro 28, 2006

Porque os números não mentem...

Uma das muitas coisas que as pessoas vão aprendendo com a vida é que, infelizmente, aquilo que devia ser normal no nosso mundo na verdade não é. Aquilo que devia ser a regra na verdade não é. Aquilo que devia ser verdade não o é verdadeiramente.
Respeito, humildade, justiça, sinceridade... São conceitos relativos nos dias que passam e à medida que deixamos de ser crianças e passamos a ser jovens e depois adultos ficamos surpreendidos, depois revoltados e, infelizmente, por último ficamos imunes, se não mesmo convertidos a essa relatividade.
Vivemos num mundo onde cada vez mais se olha menos para os meios que raramente justificam os fins. Não interessa se pisamos os outros, se os maltratamos, se os insultamos, se mentimos a terceiros para prejudicar segundos em benefício do primeiro... Não importa!
Enquanto professor estou farto de ouvir muitas coisas ditas da boca pra fora a propósito da minha profissão. Coisas ditas sem conhecimento de causa. Coisas ditas por pessoas que só dizem mal por dizer (afinal estamos no país onde ser bom não é fazer mais do que o devido mas falhar é ser uma besta - nunca há razões para elogiar mas há de sobra para destruir).
Essas críticas, costumava eu pensar, passam ao lado. Agora começo a perceber que não matam mas moem. As piores, no entanto, são as que vêm de onde, infelizmente, já há muito se espera!
Se eu, enquanto professor, vier dizer cá para fora, à frente dos meus alunos que eles são os piores do mundo estou a dar uma extraordinária machadada num grupo de pessoas que, afinal de contas, eu devia saber entender, respeitar e defender...
Neste momento sinto-me como um aluno cujo professor acaba de dizer, na rádio da escola, que sou o pior aluno da escola, que não mereço as notas que tenho, que tenho que trabalhar mais, que todos os problemas da minha turma têm origem em mim...

Quando comecei a escrever este texto tinha como ideia fazer uma pequena introdução para um link que vou colocar aqui e que nos direcciona para um estudo feito pela OCDE e que serviu de pretexto para se atacar a classe docente... Afinal de contas vai-se ver e não é bem como pintavam...
Só é pena que neste país as pessoas não pensem mais pelas suas cabeças e não se interroguem: Será mesmo assim?

Vejam este estudo... ou não e deixem-se andar... Um dia pode ser a vossa dignidade a ser posta em causa...

http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf

1 comentário:

Anónimo disse...

Ainda bem que ainda há aqueles que vêem a realidade como ela é, pensam sobre isso e não se conformam...
Só não sei qual é a solução pro seu caso...e nem se o seu caso tem solução...ou o caso de Portugal.
Por isso que eu sempre pensei que emigrar era a forma de encontrar aquilo que procuro. Acho que ainda vou ter que emigrar mais uma vezes... :o)