Quem disse que a ciência se sobrepõe à tradição popular?
A propósito da história anterior recordei-me de uma outra que passo a contar.
Há uns seis/sete anos atrás, dava eu aulas em Ponte da Barca, aconteceu de, numa aula de nono ano, se falar da variação das temperaturas entre a noite e o dia e um aluno, o Vítor, fez um comentário qualquer dizendo que tinha caído orvalho na noite anterior.
Habituado a este tipo de expressões - "está a orvalhar", "caiu muito orvalho/geada de noite" -da boca dos alunos apressei-me a corrigir aquilo que o Vítor acabara de dizer. Expliquei-lhe que o orvalho, assim como a geada, não caem, que se formam, por aí fora...
A reacção do Vítor foi, no mínimo de dúvida, no máximo de gozo!
Começou por assimilar o que lhe disse e, depois, perante tal disparate começou a rir!
Passei, então a tentar dar-lhe exemplos que, pensei eu, o ajudariam a perceber o que tinha explicado. Falei-lhe do espelho da casa de banho que fica embaciado quando tomamos banho, das lentes dos óculos que se embaciam quando entramos numa piscina... Nada!
Os colegas do Vítor já começavam a desesperar com a inflexibilidade dele. Alguns começaram a dizer-me para eu ignorar, para continuar a aula. Outros, achando piada ao confronto de ideias queriam que eu tentasse explicar ao Vítor (a verdade é que muitos queriam perceber também...).
Eu tentei. A sério que tentei. Mas os meus esforços foram em vão quando, com toda a certeza do mundo o Vítor disse o seguinte:
- Olhe professor, os meus pais dizem que o orvalho cai! Os meus avós dizem que o orvalho cai! Não é o professor que me vai convencer do contrário!
Perante tão firme e convicta afirmação... calei-me.
Umas aulas mais tarde, falava-lhes eu das principais cadeias montanhosas do nosso planeta, tentei impressioná-los dizendo que se colocássemos o Evereste no ponto mais profundo do Oceano Pacífico ainda lhe faltariam alguns quilómetros para chegar à superfície...
O que eu fui dizer!
Da sua mesa, e com o ar mais enfadado do mundo, diz o Vítor:
- Lá vem outra vez o stor com as suas teorias!
Há uns seis/sete anos atrás, dava eu aulas em Ponte da Barca, aconteceu de, numa aula de nono ano, se falar da variação das temperaturas entre a noite e o dia e um aluno, o Vítor, fez um comentário qualquer dizendo que tinha caído orvalho na noite anterior.
Habituado a este tipo de expressões - "está a orvalhar", "caiu muito orvalho/geada de noite" -da boca dos alunos apressei-me a corrigir aquilo que o Vítor acabara de dizer. Expliquei-lhe que o orvalho, assim como a geada, não caem, que se formam, por aí fora...
A reacção do Vítor foi, no mínimo de dúvida, no máximo de gozo!
Começou por assimilar o que lhe disse e, depois, perante tal disparate começou a rir!
Passei, então a tentar dar-lhe exemplos que, pensei eu, o ajudariam a perceber o que tinha explicado. Falei-lhe do espelho da casa de banho que fica embaciado quando tomamos banho, das lentes dos óculos que se embaciam quando entramos numa piscina... Nada!
Os colegas do Vítor já começavam a desesperar com a inflexibilidade dele. Alguns começaram a dizer-me para eu ignorar, para continuar a aula. Outros, achando piada ao confronto de ideias queriam que eu tentasse explicar ao Vítor (a verdade é que muitos queriam perceber também...).
Eu tentei. A sério que tentei. Mas os meus esforços foram em vão quando, com toda a certeza do mundo o Vítor disse o seguinte:
- Olhe professor, os meus pais dizem que o orvalho cai! Os meus avós dizem que o orvalho cai! Não é o professor que me vai convencer do contrário!
Perante tão firme e convicta afirmação... calei-me.
Umas aulas mais tarde, falava-lhes eu das principais cadeias montanhosas do nosso planeta, tentei impressioná-los dizendo que se colocássemos o Evereste no ponto mais profundo do Oceano Pacífico ainda lhe faltariam alguns quilómetros para chegar à superfície...
O que eu fui dizer!
Da sua mesa, e com o ar mais enfadado do mundo, diz o Vítor:
- Lá vem outra vez o stor com as suas teorias!
1 comentário:
tu estás a falar de crianças! eu já tive casos parecidos com jovens universitários! as vezes a estupidez das pessoas chega a ser incrível.
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