Entrevista a Personalidades Que Passaram Ao Lado Da Fama Por Uma Unha Negra I - Pedreiro de Aljubarrota
Introdução:
Gumersindo Almeida, também conhecido como o Pedreiro de Aljubarrota, marido de Brites Almeida, a famosa Padeira de Aljubarrota, dono de um estabelecimento comercial dois em um, naquela pequena aldeia, quase ficou famoso na batalha que consagrou a sua mulher. O destino passou-lhe ao lado por causa de uns ovos estragados...
Entrevista:
Jornalista do Personalidades Que Passaram Ao Lado Da Fama Por Uma Unha Negra (J) - Boa tarde senhor Gumersindo!
Gumersindo Almeida, o Pedreiro de Aljubarrota (GA) - Viva! Olhe... Chame-me Sindo. É o que toda a gente chama... quer dizer... chamava. Aqui no cemitério é toda a gente muito calada sabe? Só os mais novos é que são mais barulhentos.
(J) - Entendo! Fica combinado então... Senhor Sindo! Ora bem, conte-nos lá um bocadinho da sua vida para que as pessoas possam fazer um enquadramento...
(GA) - Olhe... Eu e a minha Brites conhecemo-nos num baile. Eu costumava levar umas barbas de milho e depois íamos fumá-las pró ribeiro... Ela gostava muito e como eu era aprendiz de pedreiro dizia-me «ai que pedra que tu me dás homem!» Hehehe! Era danada prá brincadeira a minha Brites. Mas às vezes eu misturava uns fiapos de cogumelos nas barbas do milho e ela ficava que não se podia aturar...
(J) - Não me diga que a Padeira de Aljubarrota se metia na passa!
(GA) - Não homem! Era cogumelos!
(J) - Ok! Prossigamos. O senhor e a dona Brites acabaram por casar certo?
(GA) - Pois! Os pais da Brites achavam que eu era bom partido. Eu era trabalhador e tinha umas ideias boas sabe... Logo que casámos abrimos uma lojinha no centro da aldeia... Eu trabalhava em pedra, ela fazia pão. Era um dois em um! Chamava-se PP Almeida - Transformamos pedra em pó e pó em pão!
(J) - Então já havia slogans! Muito bem! Diga-me... Lembra-se do dia da batalha?
(GA) - Não havia eu de me lembrar de outra coisa... Nesse dia a minha Brites tinha fumado barbas de milho com uns bocadinhos de cogumelo a mais. O pão que ela fez nesse dia saiu uma desgraça! Em vez de usar a farinha de trigo usou o pó das pedras que eu tinha lá arrumado... Queria ver se aproveitava aquilo... Sabe que misturado com água e fermento fica muito duro?
(J) - É parecido com o cimento então...
(GA) - Com o quê?
(J) - Deixe... Continue por favor senhor Sindo.
(GA) - Olhe nesse dia toda a gente reclamou do pão porque nem se podia trincar... Mas acabou por calhar bem porque depois deu para atirar com aquele pão duro como cornos aos castelhanos... Hehehe!
(J) - Não se perde nada! E depois?
(GA) - Olhe... a minha Brites também gosta de aproveitar tudo... E isso é que fez com que eu ficasse em casa no dia da batalha...
(J) - O que se passou?
(GA) - Eu tinha de almoçar mais cedo para ir ter com o senhor Nuno Álvares Pereira...
(J) - O Condestável?
(GA) - Sim! O do azeite! Sei que tinha feito uns lagares para o azeite em casa dele. Ele produzia azeite sabe... E ele gostou tanto do trabalho que me pediu para arranjar uns muros aqui perto. Dizia ele que era para lixar os castelhanos... Eu, claro, enchi-me de brios e aceitei!
Acontece que nesse dia a Brites, com a mania de aproveitar tudo, fez-me uns ovos mexidos mas usou ovos estragados... Resultado... Apanhei uma que nem do bacio me podia levantar...
(J) - Ui!
(GA) - Ui? Você havia de lá estar! Nem o Rafeiro, que era o cão que nós tinhamos na altura, se aproximava... E logo ele que gostava de ir cheirar ao bacio...
(J) - Vamos mudar o rumo da conversa se não se importa... Então e o que aconteceu a seguir?
(GA) - Olhe o Nuno Álvares Pereira veio lá a casa chamar por mim mas como eu estava no quintal sentado no bacio a Brites, que estava meio aurada com as barbas de milho, disse ao senhor Nuno que ia com ele mostrar onde estavam os muros... Eu, olhe... Passei o resto da tarde sentado no bacio... Bem ouvia os castelhanos aos berros mas não pude fazer nada... Mais para o finzinho do dia ainda me apareceu um lá no quintal, a fugir esbaforido! Dei-lhe com o bacio na cabeça mas ele já estava meio zonzo... Não sei se seria do cheiro...
(J) - Afinal o senhor também arriou nos castelhanos...
(GA) - Foi só num! Mas ninguém viu... Andavam todos a atirar com o pão... E a minha Brites a semear pazadas! Quando chegou a casa ninguém a aturava...
(J) - Sempre é verdade que ela matou uma meia-dúzia deles que estavam escondidos num forno?
(GA) - Quer dizer... Ela matar matou... Mas não foi como se diz por aí... Ela fechou-os lá dentro e chegou-lhes fogo...
(J) - Ui!
(GA) - No dia a seguir os soldados castelhanos que tinham sido presos comeram uma carninha assada...
(J) - Não me diga!
(GA) - É verdade!
(J) - Senhor Sindo... há uma coisa que não resisto a perguntar-lhe... Sempre é verdade que a dona Brites tinha seis dedos em cada mão?
(GA) - Então não é? As saudades que eu tenho daquelas mãozinhas... Uma vez... puxou-me as calças para baixo...
(J) - Se não se importa... É melhor ficarmos por aqui...
(GA) - Pronto... Está bem... Diga-me uma coisa. Não tem por aí umas barbas de milho e uns cogumelos?
Gumersindo Almeida, também conhecido como o Pedreiro de Aljubarrota, marido de Brites Almeida, a famosa Padeira de Aljubarrota, dono de um estabelecimento comercial dois em um, naquela pequena aldeia, quase ficou famoso na batalha que consagrou a sua mulher. O destino passou-lhe ao lado por causa de uns ovos estragados...
Entrevista:
Jornalista do Personalidades Que Passaram Ao Lado Da Fama Por Uma Unha Negra (J) - Boa tarde senhor Gumersindo!
Gumersindo Almeida, o Pedreiro de Aljubarrota (GA) - Viva! Olhe... Chame-me Sindo. É o que toda a gente chama... quer dizer... chamava. Aqui no cemitério é toda a gente muito calada sabe? Só os mais novos é que são mais barulhentos.
(J) - Entendo! Fica combinado então... Senhor Sindo! Ora bem, conte-nos lá um bocadinho da sua vida para que as pessoas possam fazer um enquadramento...
(GA) - Olhe... Eu e a minha Brites conhecemo-nos num baile. Eu costumava levar umas barbas de milho e depois íamos fumá-las pró ribeiro... Ela gostava muito e como eu era aprendiz de pedreiro dizia-me «ai que pedra que tu me dás homem!» Hehehe! Era danada prá brincadeira a minha Brites. Mas às vezes eu misturava uns fiapos de cogumelos nas barbas do milho e ela ficava que não se podia aturar...
(J) - Não me diga que a Padeira de Aljubarrota se metia na passa!
(GA) - Não homem! Era cogumelos!
(J) - Ok! Prossigamos. O senhor e a dona Brites acabaram por casar certo?
(GA) - Pois! Os pais da Brites achavam que eu era bom partido. Eu era trabalhador e tinha umas ideias boas sabe... Logo que casámos abrimos uma lojinha no centro da aldeia... Eu trabalhava em pedra, ela fazia pão. Era um dois em um! Chamava-se PP Almeida - Transformamos pedra em pó e pó em pão!
(J) - Então já havia slogans! Muito bem! Diga-me... Lembra-se do dia da batalha?
(GA) - Não havia eu de me lembrar de outra coisa... Nesse dia a minha Brites tinha fumado barbas de milho com uns bocadinhos de cogumelo a mais. O pão que ela fez nesse dia saiu uma desgraça! Em vez de usar a farinha de trigo usou o pó das pedras que eu tinha lá arrumado... Queria ver se aproveitava aquilo... Sabe que misturado com água e fermento fica muito duro?
(J) - É parecido com o cimento então...
(GA) - Com o quê?
(J) - Deixe... Continue por favor senhor Sindo.
(GA) - Olhe nesse dia toda a gente reclamou do pão porque nem se podia trincar... Mas acabou por calhar bem porque depois deu para atirar com aquele pão duro como cornos aos castelhanos... Hehehe!
(J) - Não se perde nada! E depois?
(GA) - Olhe... a minha Brites também gosta de aproveitar tudo... E isso é que fez com que eu ficasse em casa no dia da batalha...
(J) - O que se passou?
(GA) - Eu tinha de almoçar mais cedo para ir ter com o senhor Nuno Álvares Pereira...
(J) - O Condestável?
(GA) - Sim! O do azeite! Sei que tinha feito uns lagares para o azeite em casa dele. Ele produzia azeite sabe... E ele gostou tanto do trabalho que me pediu para arranjar uns muros aqui perto. Dizia ele que era para lixar os castelhanos... Eu, claro, enchi-me de brios e aceitei!
Acontece que nesse dia a Brites, com a mania de aproveitar tudo, fez-me uns ovos mexidos mas usou ovos estragados... Resultado... Apanhei uma que nem do bacio me podia levantar...
(J) - Ui!
(GA) - Ui? Você havia de lá estar! Nem o Rafeiro, que era o cão que nós tinhamos na altura, se aproximava... E logo ele que gostava de ir cheirar ao bacio...
(J) - Vamos mudar o rumo da conversa se não se importa... Então e o que aconteceu a seguir?
(GA) - Olhe o Nuno Álvares Pereira veio lá a casa chamar por mim mas como eu estava no quintal sentado no bacio a Brites, que estava meio aurada com as barbas de milho, disse ao senhor Nuno que ia com ele mostrar onde estavam os muros... Eu, olhe... Passei o resto da tarde sentado no bacio... Bem ouvia os castelhanos aos berros mas não pude fazer nada... Mais para o finzinho do dia ainda me apareceu um lá no quintal, a fugir esbaforido! Dei-lhe com o bacio na cabeça mas ele já estava meio zonzo... Não sei se seria do cheiro...
(J) - Afinal o senhor também arriou nos castelhanos...
(GA) - Foi só num! Mas ninguém viu... Andavam todos a atirar com o pão... E a minha Brites a semear pazadas! Quando chegou a casa ninguém a aturava...
(J) - Sempre é verdade que ela matou uma meia-dúzia deles que estavam escondidos num forno?
(GA) - Quer dizer... Ela matar matou... Mas não foi como se diz por aí... Ela fechou-os lá dentro e chegou-lhes fogo...
(J) - Ui!
(GA) - No dia a seguir os soldados castelhanos que tinham sido presos comeram uma carninha assada...
(J) - Não me diga!
(GA) - É verdade!
(J) - Senhor Sindo... há uma coisa que não resisto a perguntar-lhe... Sempre é verdade que a dona Brites tinha seis dedos em cada mão?
(GA) - Então não é? As saudades que eu tenho daquelas mãozinhas... Uma vez... puxou-me as calças para baixo...
(J) - Se não se importa... É melhor ficarmos por aqui...
(GA) - Pronto... Está bem... Diga-me uma coisa. Não tem por aí umas barbas de milho e uns cogumelos?
2 comentários:
ihihihih! Lindo!
Haja imaginação!
Muito boa entrevista! É bom que estas histórias se saibam para se desmitificar a história... Eu gosto é de barbas de milho!!
Cumprimentos.
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