quinta-feira, abril 12, 2007

Um conto

A manhã de segunda-feira começa agora a clarear. Daqui a nada vai entrar na via de acesso à cidade. Vai ser mais uma meia hora de pára arranca...
A rádio está sintonizada na estação do costume. Por entre pensamentos, desabafos e uma ou outra bolacha vai ouvindo as músicas que se sucedem, os comentários do locutor, a publicidade. A eterna e enfadonha publicidade.
Passa a hora, muda a equipa na rádio. Sai o locutor, entra um par. Ele e ela.
A partir daqui a viagem vai correr num instante. Ouve cada música e cada palavra com redobrada atenção. Procura pistas.

Na sexta-feira passada alguma coisa lhe prendeu a atenção. O locutor disse qualquer coisa do género:
- Vamos ouvir a música Shoot me Down, dos Boy Kill Boy...
Ela interrompeu-o:
- Esta música é fantástica, daquelas que me faz cantar a plenos pulmões. É das minhas preferidas...
- Eu sei - diz ele.
A voz dele parecia embevecida e comprometida.
Mais comprometido foi o silêncio que se seguiu.
Passaram-se cinco longos segundos até que a música começasse.
Achou aquela situação muito estranha. Pareceu-lhe uma espécie de declaração muito embaraçada. Muito tímida.
Logo a seguir pensou: Oh! Que parvoice! Claro que não é dedicatória nenhuma! Só ficaram sem nada para dizer e provavelmente estavam com problemas técnicos.
Quando este pensamento se diluiu na sua mente dedicou alguma atenção à letra.
You never knew never knew never knew
You never should never should never should
I needed someone, someone to be here
Always
When the sun's down, someone to pick up
Pieces
Esboçou um sorriso. Será mesmo? - Pensou com um ar divertido. - Será que ele está a declarar-se a ela?
Quando a música terminou a emissão continuou a um ritmo aparentemente normal...
No que restou de viagem continou a procurar pistas na emissão da rádio mas nada lhe pareceu significativo.

Agora ia começar mais uma busca às pistas do romance que criou na sua imaginação. O locutor da rádio estava apaixonado pela sua colega de equipa mas a timidez que impedia a declaração do amor em privado quebrava-se, ainda que de forma dissimulada, perante milhares de ouvintes.
O locutor também escrevia uma crónica semanal num jornal. Era esse o dia. Tinha decidido - Vou comprar o jornal... Quem sabe na crónica que ele escreve não aparece nada que me ilumine a investigação...


Comentem, sugiram, critiquem, e proponham-se para continuar a história...
Espero não ter desiludido...
Aqui ficam a música e a letra... Podem servir de inspiração...




7 comentários:

Miss Alcor disse...

por alguma razão que desconhço, não consegui ouvir a música! Vou tentar ouvi-la por outros meios e depois lá virá a dita inspiração.
Até me oferecia para a continuar, mas este fds vou andar para trás e para a frente e não vou ter muito tempo para pensar nisto!
Se alguém se voluntariar para o fds, eu depois continuo... senão, faço eu, para a semana! Ok! ;)

Eduardo Ramos disse...

Boas!
Li... e absorvi!
Difícil! Para uma história mais pesada e controversa e logo mais interessante!
Fácil... ficamos com um livro de 3 capítulos com 3 páginas por capitulo.
Se quiseres pego aqui! Mas não fica fácil pra o próximo. Será melhor deixar correr mais um bocado! Ando um pouco sem tempo!
É contigo!
Sim ou não!
HEY! Não será melhor fazer um blog só pra este conto?
Para não se misturar com os posts "normais"? Vamos deixando indicações da evolução da história... percebes o que quero dizer!

Paulo disse...

Eu também acho que era melhor fazer um blog só para este conto...

Touro Zentado disse...

Eu também acho que é melhor fazer um blog para o conto...
Hehehe!
Vou tratar disso...
Acho que se pode chamar umconto.blogspot.com
O que acham?

Touro Zentado disse...

Preciso dos vossos mails para disponibilizar vosso acesso ao blog... Logo que possam...
Um abraço

Miss Alcor disse...

Olha, quanto ao meu e-mail está aí já... sempre nos comentários! ;)
Gosto do nome "um conto". Gosto mesmo.

Maria Ostra disse...

Muito bom!
Podes(m) continuar!